"Atuar é só blábláblá, é fácil"
Ok, atuar é fácil.
Não posso falar que é difícil.
Difícil é convencer o povo de que não é você que está ali: é o personagem.
Ou seja
Você precisa atuar, mas fazer uma interpretação ótima.
E isso é difícil.
Você precisa entrar no personagem.
Esquecer a sua vida, história, dores, jeito de falar, andar, vestir, pensar... Porque não é você que está ali, é o personagem.
E quanto mais diferente o personagem é de você, mais desafiador.
E mais satisfatório quando você termina uma peça com esse personagem.
Porque assim você pode se orgulhar e falar: "Não era eu, era o personagem".
Empreste seu corpo para o personagem;
Ensaie as falas dele;
Use as roupas dele;
Use a maquiagem dele;
Use a vida dele;
Entenda a mente dele;
E seja um sucesso no palco.
Quanto mais natural for sua atuação, melhor.
Não pode deixar aquela coisa artificial do tipo "decorei minhas falas, vou falar e pronto".
Não.
Gesticule enquanto fala, ande, mude a expressão facial, pense "o que ele faria?", deixe o personagem tomar conta de você.
A Darla (Princesa da Ervilha), minha personagem na peça "Depois dos felizes para sempre", por exemplo, sofre muito de dor na coluna, então sempre está reclamando e choramingando.
Mas também é muito inteligente, só que não demonstra isso.
Deixa as outras princesas se baterem resolvendo os enigmas enquanto ela já tem um conhecimento maior da situação.
E o resto acha que ela é uma inútil que só fica reclamando das dores.
Irônico, não?
É difícil ficar a peça inteira andando corcundamente e reclamando sempre que possível.
Mas é a Darla.
Eu aceitei ser ela, então eu vou ser.
É isso, a chata aqui conseguiu ficar doente, então se ter alguma coisa equivocada no texto é porque eu estou delirando um pouco.
Só espero ter deixado claro que atuar não é só decorar um texto e ficar parado olhando para a parede enquanto o fala.